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- MPF denuncia ex-gestores da Associação de Irrigação do Baixo Açu
Postado Por : digo-provo
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Ao todo, dez envolvidos foram denunciados pelo Ministério e são réus em uma ação civil por ato de improbidade administrativa
Por Ciro Marques
Além dos três ex-gestores, foram denunciados Washinton Valdemberg da
Silva (da W. V. Da Silva Serralheria ME); Frederick Rodrigues de Almeida
(F J Construções e Empreendimentos Ltda.); João Ernesto da Costa Neto
(João Ernesto da Costa Neto – ME); Renata Cavalcante Sobral e Wellington
Ferrário Costa (EST Empreendimentos Ltda. – EPP); e Wandick Landry
Sobreira Cavalcanti e José Gilvan Teixeira (Enpecel – Engenharia de
Projetos e Construções Ltda.).
A denúncia e a ação civil pública, assinadas pelo procurador da
República Fernando Rocha, apontam que o então presidente da Diba e os
dois ex-diretores usaram documentação falsa para prestar contas da
terceira de quatro parcelas de um convênio federal celebrado com o
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Os serviços
previstos com os recursos dessa parcela, de R$ 983.957,15, não foram
executados. Do valor total do convênio, R$ 4.289.052, também não constam
ainda as prestações de contas das outras três parcelas.
Com recursos da terceira parcela, a Diba contratou a EST
Empreendimentos Ltda. por R$ 783.189,98, para realizar a obra de
recuperação de sete reservatórios da primeira etapa do Projeto de
Irrigação Osvaldo Amorim. Uma Tomada de Contas Especial do DNOCS
comprovou que apenas um desses recebeu obras, mas que não passaram de
15% dos serviços a serem efetuados no mesmo. O Tribunal de Contas do
Estado, concluiu, em relatório, que somente 2% do contrato firmado foi
executado, embora 71,89% do valor total tenha sido liberado (R$
563.058,78).
Das quantias pagas, as investigações constataram que R$ 59.786,78
foram destinados à empresa Enpecel. Um cheque, de R$ 20 mil, foi emitido
nominalmente a Washington Valdemberg e outro, de R$ 21.852, à própria
Diba, tendo sido sacado por Elias de Mesquita. A EST Empreendimentos
também foi favorecida com o pagamento de R$ 60 mil, relativos a uma obra
de recuperação de estradas que foi executada apenas parcialmente. Um
dos cheques, no valor de R$ 30 mil, foi pago sem nenhuma correlação com
nota fiscal e sem descrever quaisquer tipo de serviços prestados.
Ainda com recursos do convênio, a Diba contratou a F J Construções e
Empreendimentos Ltda. para aquisição e instalação de uma balança
rodoviária com capacidade para 40 toneladas e guarita de controle, no
valor de R$ 84 mil. Relatório do DNOCS comprova que até o final de março
de 2009 o equipamento não havia sido instalado, mesmo assim a empresa
emitiu uma nota fiscal no valor de R$ 68 mil, em agosto de 2008, e seu
representante, Frederick Rodrigues, assinou um recibo confirmando o
pagamento.
Outra empresa, a João Ernesto da Costa Neto – ME, também fechou
contrato com a associação, para o fornecimento de guias de aço inox para
três comportas do canal da 1ª etapa do Projeto de Irrigação, no valor
de R$ 80.190,00. Embora não haja sinais de execução da obra, nem da
realização de qualquer tipo de procedimento licitatório, a empresa
emitiu nota no valor total e seu proprietário, João Ernesto, assinou
recibos, atestando falsamente o pagamento.
Dois dos supostos cheques encaminhados à empresa, cada um no valor de
R$ 30 mil, teriam sido falsificados. Cópias dos mesmos, fornecidas pelo
Banco do Nordeste, demonstram que foram emitidos nominalmente à própria
Diba e sacados por Marcos Bizerra e Elias de Mesquita. Já a
transferência dos demais R$ 20.190 foram feitos à empresa W. V. Da Silva
Serralheria ME, de Washington Valdemberg.
A ação civil pública requer a condenação de todos por ato de
improbidade. Já a denúncia do MPF/RN requer a reparação dos R$
983.957,15 desviados (devidamente corrigidos) e pede a condenação dos
três ex-gestores e de cinco dos empresários por peculato e falsidade
ideológica, enquanto aponta José Gilvan e Wandick Landry pelo crime de
peculato.
fonte: portal no ar