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- PMDB quer Agricultura, Recursos Hídricos e o Leite para não romper
Postado Por : digo-provo
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Data: 27 fevereiro 2013 - Hora: 18:59 - Por: Alex Viana
A crise entre o PMDB e o governo do Estado aparentemente foi resolvida. O governo deve promover mudanças no seu secretariado. Os ajustes teriam sido definidos durante a última reunião da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) com os líderes do DEM, do PMDB, do PR e do PMN, na segunda-feira, em Brasília. Algumas secretarias estaduais, como Recursos Hídricos, Agricultura e Saúde, por exemplo, devem trocar de comando. O Programa do Leite, atualmente na Agricultura, deve voltar para a Secretaria de Trabalho, Habitação e Assistência Social (SETHAS), administrada pelo PMDB. Rosalba já estaria analisando os nomes de secretariáveis indicados pelos peemedebistas.
Pelo que teria sido acertado, o PMDB indicará os cargos de secretários de Agricultura e de Recursos Hídricos. O DEM, do senador José Agripino, assumirá a Secretaria de Saúde. Em todos os casos, essas indicações – e possivelmente outras que venham ocorrer -, serão endossadas conjuntamente pelo Conselho Político, formado pelos aliados José Agripino (DEM), Henrique Alves (PMDB), João Maia (PR), Ricardo Motta (PMN) e Garibaldi Filho (PMDB).
Segundo fontes do governo, que preferem não ser identificadas, “as indicações (da Agricultura e dos Recursos Hídricos) são do PMDB, mas vai sair publicamente que são de Henrique, Garibaldi, Agripino, João Maia e Ricardo Motta”, afirmou. “(O PMDB) está vindo para o governo em função de cargos”, completou a fonte.
AGRICULTURA
Segundo as mesmas fontes governistas, os nomes dos secretariáveis já foram indicados e o Diário Oficial do Estado poderá falar a qualquer momento. Para a pasta da Agricultura, Pecuária e Pesca, o PMDB deverá indicar o atual presidente da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores (ANORC), José Teixeira Júnior. Caso seja nomeado, ele substituirá José Simplício de Holanda, que assumiu quando do retorno do ex-secretário Betinho Rosado (DEM) para a Câmara dos Deputados.
Procurado por O Jornal de Hoje, Teixeira Júnior confirmou que foi sondado para o cargo. Peemedebista, ele espera ter uma conversa complementar com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, para fechar a suposta indicação. A conversa deve acontecer apenas na próxima semana. Ele também vai procurar os deputados do partido e lideranças do setor agropecuário do Estado para conversar sobre sua indicação para o cargo.
Atualmente, Teixeira Júnior preside a Associação dos Criadores, cargo que exerce desde junho do ano passado, quando foi eleito. Nos cinco anos anteriores, foi superintendente da Delegacia Regional da Agricultura no Rio Grande do Norte, órgão do governo federal. Como presidente da ANORC, José Teixeira tem atuado na defesa do setor e na melhoria das questões relacionadas à aftosa e ao Programa do Leite.
HÍDRICOS
A Secretaria de Recursos Hídricos também deverá receber a indicação de peemedebistas. Três nomes estão na cotação para assumir o posto, sendo o mais provável deles o do engenheiro Paulo Varela, atual diretor-técnico da Agência Nacional de Águas (ANA). Ex-diretor-presidente da antiga Companhia de Desenvolvimento Mineral do Rio Grande do Norte (CDM/RN) e ex-secretário de Recursos Hídricos no governo Garibaldi Filho, Varela é descrito como “um grande quadro, um dos melhores”, na avaliação de um garibaldista.
Além dele, porém, outros dois nomes estão sendo analisados pela governadora Rosalba Ciarlini. Um é o do ex-deputado estadual Elias Fernandes (PMDB), ex-diretor-presidente do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) e pai do atual deputado estadual Gustavo Fernandes (PMDB). Elias tem articulado em favor do seu nome, mas, pesa contra sua nomeação a centena de processos que tramitam contra ele na Justiça, oriundos da época que ele geriu o DNOCS.
Além disso, um episódio político da década de 90, envolvendo o então deputado Carlos Augusto Rosado, hoje secretário-chefe do Gabinete Civil do governo do Estado, teria cristalizado um distanciamento entre ambos. Naquela época, Carlos Augusto precisou se ausentar por mais de 90 dias do plenário em razão de tratamentos de saúde e Elias, também deputado, entrou com pedido de cassação do mandato dele. O mandato de Carlos Augusto foi salvo por um parecer do então deputado Leonardo Arruda. A Assembleia era presidida, à época, pelo deputado José Adécio (DEM).
Um terceiro nome foi sugerido pelo PMDB para a pasta de Recursos Hídricos. Trata-se de Luiz Carlos da Silva, ex-Cosern e ex-DNOCS, onde atuou com Elias Fernandes. Mais conhecido como Lucala, é amigo de infância de Henrique, “jogava futebol de salão com ele”. Segundo um amigo comum, porém, embora boa pessoa, Lucala não tem experiência administrativa.
SAÚDE
Outra modificação a ser feita no governo envolveria a substituição do secretário de Saúde, Isaú Gerino. Na reunião do Conselho Político, o próprio PMDB teria sugerido o nome do ex-prefeito de Pau dos Ferros, Leonardo Rego (DEM), filho do líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Getúlio Rego, para secretário de Saúde.
“Henrique se sentiu tão dono da reunião na última segunda-feira que sugeriu Leonardo Rego para a Saúde”, afirmou uma das fontes governistas ouvidas pela reportagem esta manhã. “Daí talvez a grande jogada, para dizer que os nomes não são do PMDB, mas indicados através do Conselho Político: Ricardo Motta, João Maia, Agripino, Henrique e Garibaldi”, disse.
Além dessas indicações, o fortalecimento da Secretaria de Trabalho, Habitação e Assistência Social, atualmente gerida por Luiz Eduardo Carneiro Costa, teria sido acordado. O Programa do Leite, que pertence originalmente à pasta, foi deslocado para a Emater no final do governo Iberê Ferreira (PSB) e não retornou quando do início do governo Rosalba. Agora, o programa deverá voltar para a SETHAS.
Se persistir desgaste, Rosalba apoiará peemedebista para o governo e disputará o Senado
A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) poderá desistir da reeleição e apoiar um peemedebista para o governo do Estado. Este teria sido o principal argumento da governadora para convencer o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), e o ministro Garibaldi Filho (PMDB), a não romperem com o governo. Em troca do apoio dela a um peemedebista, o PMDB apoiaria Rosalba para o Senado, devolvendo o mandato que já foi dela e que hoje pertence ao senador Garibaldi Alves (PMDB), pai do ministro da Previdência.
Essa foi a grande cartada de Rosalba e Carlos Augusto para esfriar o ímpeto de rompimento dos peemedebistas, que, pressionados pela aliança nacional do PMDB com o PT, caminhavam – ou caminham – para um afastamento político do DEM potiguar. Fato tão forte este de admitir abrir mão de disputar o governo e apoiar um peemedebista, que fez com que Garibaldi refluísse da entrega dos cargos que tem no governo, conforme ele mesmo propôs na reunião da última segunda-feira.
No entanto, Rosalba só não será candidata se a reeleição dela for inviável, conforme apontam as tendências constatadas em pesquisas recentes. Neste caso, a prioridade seria ela apoiar Garibaldi para o governo. Este, duas vezes governador, disse não ter interesse. O segundo da fila seria o presidente da Câmara, Henrique Alves, que analisaria o momento. Por fim, não sendo Garibaldi ou Henrique, Rosalba apoiaria o deputado estadual Walter Alves (PMDB). Em todas as hipóteses, Rosalba seria candidata ao Senado.
Em troca, o PMDB assume o compromisso de ajudar o governo Rosalba a se recuperar do desgaste administrativo. Assim, Henrique e Garibaldi vão atuar em Brasília, junto ao governo do PT, para viabilizar Rosalba, com obras federais, emendas parlamentares e convênios com os ministérios. “Na reunião, a história é que se Rosalba se recuperar, todo o grupo votará nela para governadora. Se ela não se recuperar, os candidatos serão, pela ordem, Garibaldi se quiser, e ele não está querendo, Henrique se o momento permitir, ou Waltinho”, disse a fonte governista.
fonte: jornal de hoje